Doenças e seu controle

Nilton Tadeu Vilela Junqueira

A mangabeira apresenta alguns problemas patológicos que merecem a atenção do produtor, que ocorrem desde o estabelecimento de viveiros para produção de mudas até a implantação da cultura definitiva no campo.

A produção de mudas pode fracassar devido ao alto índice (até 100%) de mortalidade causada pelo fungo Cylindrocladium clavatum Hodges & May, que provoca o apodrecimento das raízes (Figura 1) mesmo sob rega controlada.

Foto: Ailton Vítor Pereira

Raízes e colo de mudas em fundo azul

Figura 1. Raízes e colo de mudas de mangabeira afetadas por prodridões causadas por Cylindrocladium clavatum Hodges & May. 

O fungo Sclerotium rolfsii Sacc. também tem sido relatado causando morte de plântulas no viveiro, na Paraíba, principalmente devido ao excesso de água de irrigação. Ainda não se obtiveram medidas de controle efetivas para essa doença; porém, recomenda-se evitar o excesso de umidade no substrato, e realizar o tratamento das sementes com fungicidas.

A mancha parda é a doença que mais provoca prejuízos à mangabeira tanto na região Nordeste quanto no Planalto Central. Causada pelo fungo Mycosphaerella discophora Syd., apresenta como principais sintomas manchas púrpuras, a maioria com formas elípticas ou ligeiramente arredondadas, às vezes estriadas, de tamanho variado e com um ponto necrótico mais escuro no centro (Figura 2). Em mudas no viveiro e em plantas jovens no campo, chega a causar a perda total das folhas, muitas vezes provocando a morte. É comum observar nas regiões produtoras que as plantas adultas chegam a perder totalmente a folhagem, resultando em um aspecto de planta morta, embora geralmente se recuperem, voltando a produzir normalmente.

Foto: Ailton Vítor Pereira

Folhas com lesões, pequenas manchas avermelhadas, em destaque

Figura 2. Lesões causadas por Mycosphaerella discophora Syd. em folhas de mangabeira. 

É comum a ocorrência de antracnose, que causa manchas necróticas em frutos, cujo agente causal foi identificado como Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Sacc. Os frutos apresentam, inicialmente, pequenas pontuações de coloração marrom, as quais evoluem para manchas circulares (Figura 3). Embora possíveis alternativas para o controle de C. gloeosporioides na mangabeira ainda não tenham sido desenvolvidas, recomenda-se que sejam recolhidos e enterrados os frutos afetados e que seja realizada a eliminação e queima dos galhos secos, com o objetivo de se reduzir a fonte de inóculo potencial e consequente agravamento dos sintomas.

Foto: Nilton Tadeu Vilela Junqueira

Frutos pequenos com lesões marrons

Figura 3. Sintomas de antracnose causados por Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Sacc. em frutos pequenos, folhas e botões de mangabeira. 

A morte descendente ou seca de ramos da mangabeira é uma doença comum em plantas adultas cultivadas e em estado nativo. Vem sendo observada somente nas plantas em produção, vegetando tanto em solos mais arenosos quanto nos mais argilosos. O agente causal da doença não está bem esclarecido. Tem sido relacionada aos fungos Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griffon & Maub. e Phomopsis sp. associados ao tecido lesado. No entanto, não se sabe qual a causa primária da doença, uma vez que esses fungos são considerados patógenos fracos ou fungos oportunistas, e, portanto, precisam de algum tipo de ferimento para penetrar no tecido. Os sintomas iniciais caracterizam-se pela seca da ponta dos ramos mais finos. Com o tempo, essa seca progride para a base do ramo, quase sempre atingindo o tronco e provocando uma podridão seca. Em seguida, ocorre a seca e o fendilhamento transversal da casca, formando inúmeros anéis que se soltam facilmente. A seca pode atingir toda a planta (Figura 4). Quando o tronco é atingido, a planta morre rapidamente. Para controlar essa doença, sugere-se podar todos os ramos e galhos secos a aproximadamente 30 cm a 40 cm abaixo do final da lesão e pincelar com uma pasta à base de 1 kg de sulfato de cobre, 4 kg de cal virgem, 500 mL de óleo de soja e 5 L de água. Para preparar essa pasta, dissolve-se primeiro a cal e, em seguida, coloca-se o sulfato de cobre. As partes cortadas deverão ser queimadas.

Foto: Josué Francisco da Silva Junior

Manbabeiras entre coqueiros, com folhas secas

Figura 4. Mangabeira em avançado estádio de seca ou morte descendente. 

O cancro é uma doença que, geralmente, ocorre na base dos troncos (Figura 5) de plantas nativas ou cultivadas de qualquer idade. Se não for tratada imediatamente, a lesão pode progredir rapidamente, circular o tronco e matar a planta. O agente causal da doença não está bem esclarecido, mas, em alguns casos, o fungo L. theobromae foi encontrado nos tecidos lesados. Acredita-se que esse fungo penetra através de ferimentos provocados por animais, fogo, pragas ou implementos agrícolas ou durante as podas e desbrotas. Para preveni-lo, deve-se evitar ferimentos nas plantas durante as práticas culturais. Tratar os ferimentos com a mesma pasta de fungicidas à base de cobre descrita anteriormente para controle da seca.

Foto: Nilton Tadeu Vilela Junqueira

Caule cheio de rachaduras, em destaque

Figura 5. Sintomas de cancro no caule de uma planta adulta de mangabeira. 

 

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