Adubação e nutrição mineral

Pedro Roberto Almeida Viégas

Apesar do grande potencial da mangaba para o processamento industrial, ainda não foi possível estabelecer todos os critérios técnicos para o seu cultivo econômico em larga escala, pois faltam estudos mais aprofundados, para a espécie, sobre a relação solo-planta-atmosfera. Atualmente, algumas áreas do conhecimento como a fertilidade e a nutrição mineral, e, sobretudo, aquelas relacionadas à adubação (fontes, doses e parcelamentos) no campo, carecem de mais pesquisas.

Por estar adaptada às condições de baixa fertilidade e porcentagem de matéria orgânica no solo, a mangabeira apresenta ótima eficiência na absorção dos nutrientes, pois tem a capacidade de desenvolver o seu sistema radicular lateralmente e em profundidade, o que permite buscar água e nutrientes nas camadas mais profundas. Também, verifica-se que esta frutífera apresenta associação simbiótica com fungos micorrízicos, que facilita a maior exploração do perfil do solo, bem como aumenta a eficiência da absorção de íons como o P.

Os nutrientes apresentam funções importantes no metabolismo das plantas, participando da estrutura destas, bem como, na síntese e na ativação de enzimas. São classificados em macro (N, P, K, Ca, Mg, S) e micronutrientes (B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Zn), segundo a sua função nos vegetais. Os efeitos negativos da ausência desses nutrientes nas plantas cultivadas são observados como diminuição do crescimento (parte aérea e raízes), menor resistência/tolerância à seca e ao ataque de pragas/patógenos e, principalmente, abortamento de flores e diminuição da produção. Nem sempre estão disponíveis no solo na forma e quantidade necessárias às plantas; daí a importância da adubação para a obtenção de boas produtividades.

A maior parte das informações e resultados de pesquisas disponíveis sobre adubação para a mangabeira está relacionada a solos de textura média a argilosa. Todavia, no Nordeste, a mangabeira vegeta principalmente em solos de textura arenosa (Neossolos Quartzarênicos). Dessa forma, a adubação desta espécie em condições de solos arenosos, tomando como base resultados de pesquisas realizadas em solos com maior teor de argila, poderá proporcionar diferentes respostas, com possibilidade de prejuízos às plantas. Deve-se ressaltar que os solos de textura arenosa possuem, em relação aos argilosos, maior taxa de infiltração, menor capacidade de retenção de umidade, menor poder tampão, menor capacidade de troca de cátions (CTC), e menor teor de matéria orgânica, o que proporciona diferentes dinâmicas dos adubos no solo, com diferentes respostas das plantas à adubação.

Os estudos sobre as exigências nutricionais e teores de macro e micronutrientes em mangabeiras adultas estão avançados e já existem aproximações sobre essas exigências em mudas, as quais apresentam a seguinte série liotrópica decrescente para macronutrientes: N>K>Ca>P>S>Mg; e para micronutrientes: Fe>Mn>Cu>Zn>B.

Para plantios novos e aqueles já instalados, o primeiro passo para a definição do cronograma de adubação é a amostragem do solo, que deve seguir os princípios preconizados para as outras culturas frutíferas, tomando-se o cuidado de se obter, pelo menos, 20 subamostras por hectare, para que se tenha uma amostra composta homogênea.

Nos plantios já instalados ou em áreas de predominância de plantas adultas, deve-se fazer a amostragem do solo sob a copa e, se possível, entre plantas, para que se possa ter melhor resultados. Como a mangabeira apresenta diferentes períodos de floração, de acordo com a região, as amostragens do solo, deverão ser realizadas na floração principal, para que se organize um cronograma de adubação para a safra do ano seguinte.

Outro fator importante no cronograma de parcelamentos dos fertilizantes são os plantios de sequeiro e os irrigados. O primeiro, como não há a aplicação de água, via irrigação, o agricultor terá que fazer o parcelamento de acordo com as precipitações pluviométricas da sua região. O segundo, no qual há a aplicação de lâmina d`água, os parcelamentos poderão ser feitos durante o ano. Dessa forma, o número de parcelamentos e as quantidades de fertilizantes a serem aplicadas deverão estar de acordo com a idade da planta, as características físicas e químicas do solo da área de plantio e de acordo com o sistema de condução. Deve-se ressaltar que, praticamente, não há estudos relacionados à adubação associada à irrigação.

A mangabeira se desenvolve bem em pH levemente ácido. Dessa forma, a calagem deve ser realizada para manter o mesmo entre 5,0 e 5,5 ou aumentar a saturação por bases para 40%, quando essa estiver abaixo de 30%.

Com relação à adubação orgânica, pesquisas verificaram que a utilização de esterco bovino em fundação na cova resultou em alta mortandade e prejuízos ao desenvolvimento de plantas jovens. Porém, houve resposta positiva para adubações em cobertura, na proporção de 2 L/planta/ano a 30 L/planta/ano, para plantas recém-plantadas e em fase de produção, respectivamente. Ao se utilizar esterco na cova, em solo do tipo Argissolo nas proporções de 5 e 10 L (18 e 37% da mistura em fundação), promoveu a mortandade das mudas de 40% e 100% respectivamente. Para que sejam evitados esses problemas, recomenda-se colocar, em fundação, apenas 10% do volume da cova com matéria orgânica e, anualmente, quando houver disponibilidade do material, aplicar sob a copa e incorporar ao solo com enxada.

Para a adubação mineral, ainda não se tem uma recomendação para as diferentes regiões de ocorrência da mangabeira. Todavia, algumas observações podem ser levadas em consideração para que se possa adequar essa prática à condução das plantas, como plantio irrigado ou de sequeiro, idade das plantas, época da florada principal e as características químicas e físicas do solo. De posse dessas informações e os fertilizantes a serem aplicados, determinam-se as quantidades e os parcelamentos.

Existe a recomendação de adubação, recomendada pela Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), a qual pode ser adaptada às diferentes regiões de ocorrência da mangabeira no litoral do Nordeste. Recomenda-se aplicar 100 g/planta ou 200 g/planta de superfosfato triplo ou superfosfato simples, respectivamente (Tabela 1). O adubo fosfatado deverá ser aplicado no plantio em fundação e, a partir do segundo ano, deverá ser aplicado de uma só vez juntamente com a primeira parcela de N e de K, em faixa circular, na projeção da copa, com leve incorporação ao solo. Outra fonte de fósforo que pode ser utilizada são os fosfatos naturais, como o fosfato natural de Gafsa. No crescimento inicial da mangabeira, verificou-se que esse fosfato foi mais eficiente do que o superfosfato triplo, como fonte de fósforo para a mangabeira na dose de 120 g/planta. Para o nitrogênio, recomenda-se, no primeiro ano, 150 g/planta de sulfato de amônio ou 75 g/planta de ureia e, do segundo ao quinto ano, as seguintes doses de sulfato de amônio por planta respectivamente (225 g, 390 g, 480 g e 480 g) e de ureia (120 g, 180 g, 240 g e 240 g). Para o potássio, recomenda-se do primeiro ao quinto ano 45 g, 90 g, 120 g, 150 g e 150 g de cloreto de potássio/planta.

Tabela 1. Recomendação de adubação para mangabeira em solo do tipo Argissolo Vermelho-amarelo de textura arenosa média.

Época

Sulfato de amônio

ou

Uréia

Superfosfatosimples

ou

Superfosfato triplo

Cloreto de potássio

 

-------------------------------g/planta------------------------------

Plantio

 

200

 

100

1º ano

150

 

75

 

45

2º ano

225

 

120

240

 

120

90

3º ano

390

 

180

300

 

150

120

4º ano

480

 

240

360

 

180

150

5º ano

480

 

240

360

 

180

150

Fonte: Aguiar Filho et al. (1998).

Para os micronutrientes, recomenda-se 5,0 g/planta/ano de FTE BR 12, em pó, para solos argilosos e granulado, para solos arenosos, aplicado com o primeiro parcelamento de N e de K do ano. Vale salientar que a formulação do FTE BR 12, a ser aplicada em solo arenoso, deverá conter, pelo menos, 3% de Fe.

As adubações nitrogenada e potássica, quando a área não for irrigada, no primeiro ano de plantio, devem ser parceladas em três aplicações, a primeira realizada aos 120 dias do plantio das mudas, e as demais no intervalo de 90 dias. A partir do segundo ano, as adubações nitrogenada e potássica deverão, também, ser parceladas em três aplicações e distribuídas durante o período chuvoso. Para as áreas irrigadas, os parcelamentos poderão ser realizados segundo o sistema de irrigação, as características físicas do solo e a idade das plantas.

 

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