Colheita e pós-colheita

Ana Veruska Cruz da Silva

Marcelo Augusto Gutierrez Carnelossi

A mangabeira, geralmente, inicia a produção entre o quarto e sexto ano após o plantio. O período de safra é distinto entre as regiões produtoras, mas, de um modo geral, no litoral do Nordeste, se dá de dezembro até abril, com outra safra menor, no inverno, em maio e junho. A mangabeira produz fruto classificado como climatérico, isto é, durante o período de maturação apresenta um marcante aumento na taxa respiratória, provocado pelo aumento na produção de etileno. Esse aspecto proporciona um elevado índice de perecibilidade e vida útil menor. Os frutos são sensíveis a danos mecânicos durante a colheita, transporte e manuseio, sendo necessário o consumo imediato ou o uso de técnicas de conservação pós-colheita, como baixas temperaturas, com a finalidade de reduzir a atividade metabólica e prolongar a vida pós-colheita.

Popularmente, são conhecidos dois estádios de maturação para o ponto de colheita: frutos “de caída”, que são aqueles que se desprendem da árvore, completando o amadurecimento poucas horas após a queda, e “de vez”, quando coletados diretamente na planta. Na teoria, o ponto de colheita é baseado na mudança de tonalidade do fruto, de verde para amarelo claro. Esse é um fator fundamental para determinação da vida útil, que, para mangaba, é invariavelmente curto, pois apresenta a casca muito fina e grande quantidade de polpa, tornando-o bastante perecível.

Os frutos “de caída” (Figura 1) completam seu amadurecimento entre 12 e 24 horas e não resistem ao armazenamento. Assim, necessitam ser imediatamente comercializados e/ou beneficiados. São extremamente moles, o que dificulta inclusive, a higienização.

Fotos: Raquel Fernandes de Araújo Rodrigues (a) e Ana Veruska Cruz da Silva (b)

Frutos frescos dentro de um cesto; frutos congelados

Figura 1. Frutos de mangaba “de caída” (a) após a colheita; (b): após armazenamento. 

Se colhidos verdes (Figura 2), os frutos não amadurecem uniformemente, por sua condição climatérica. Assim, deve-se manter a fruta na planta até os estádios finais de maturação.

Foto: Ana Veruska Cruz da Silva

Frutos verdes

Figura 2. Frutos verdes de mangabeira. 

Para comercialização, o ideal é que sejam colhidos “de vez”, que se caracteriza pela presença de manchas avermelhadas sobre a pigmentação verde amarelada (Figura 3), e no início de amaciamento da polpa, sendo ainda um pouco firmes. Dessa forma, a vida útil pode chegar a quatro dias. Para isso, os frutos geralmente são submetidos a um processo chamado encapotamento, no qual são colhidos antes de completarem a maturação, lavados, secos com tecido macio e colocados em baldes revestidos com papel e cobertos com papel ou tecido.

Foto: Josué Francisco da Silva Junior

Frutos frescos armazenados em uma bacia de plástico, ainda com látex

Figura 3. Frutos de mangaba “de vez”. 

A colheita é realizada manualmente, com auxílio de um gancho (Figura 4). Os frutos devem ser acondicionadas em caixas de colheita protegidas, preferencialmente com revestimento de espuma (1 cm), na tentativa de minimizar os danos físicos.

Foto: Raquel Fernandes de Araújo Rodrigues

Figura 4. Colheita manual de mangaba com auxílio de um gancho. 

Na casa de embalagem, os frutos devem ser lavados em água clorada contendo detergente, para higienização das mesmas e eliminação de látex  (Tabela 1). Após a secagem, as mangabas para o mercado de frutas in natura, devem ser selecionadas, evitando-se as danificadas e/ou com doenças. A embalagem mais frequente é a bandeja de isopor recoberta por filme de PVC.

Tabela 1. Informações úteis de manuseio de frutos de mangaba após a colheita.

Caixas de colheita

No máximo com 10 cm de altura, empilháveis e revestidas com espuma (1 cm)

Eliminação do látex exsudado

Água clorada (25 ppm de cloro livre), contendo detergente 5%

Higienização final

Enxague com água clorada (10 ppm de cloro livre)

Fonte: adaptado de Alves et al. (2006).

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