Tratos culturais

Edivaldo Galdino Ferreira

Herbert Uchoa Pontual

Giuseppe Cavalcanti Vasconcelos

A mangabeira, por ser uma planta rústica, responde de forma satisfatória ao conjunto de operações básicas que é realizado para melhoria da produtividade da planta. Algumas dessas práticas consistem no uso de tutoramento, controle do mato, cobertura morta, consórcio e podas. Não há estudos sobre irrigação; no entanto, a mangabeira necessita de água na sua fase inicial até o completo pegamento, bem como se o plantio for realizado na época seca.

Tutoramento

A primeira prática após o plantio é o tutoramento (Figura 1). Consiste no uso de piquete em torno de 0,80 m, no sentido vertical para sustentação do ramo principal e orientação do seu crescimento, para melhor formação da copa.

Foto: Ana da Silva Lédo

Tutoramento da mangabeira

Figura 1. Tutoramento da mangabeira. 

Controle do mato

A mangabeira, assim como todas as espécies frutíferas, deve ser mantida livre da concorrência do mato. Em razão disso, é necessário fazer  o coroamento ao redor do tronco das plantas e nas entrelinhas com culturas consorciadas. Quando não houver consórcio, devem-se fazer roços para manter o mato sempre baixo.

Consorciação

A mangabeira é uma frutífera perene, com o ciclo reprodutivo iniciando após o terceiro ano. Durante os primeiros anos de desenvolvimento da planta, pode-se utilizar a prática da consorciação para aproveitamento do terreno. São utilizadas culturas temporárias (Figura 2) como feijão-de-corda, amendoim, abóbora, milho, melancia, mandioca, bem como algumas leguminosas destinadas à adubação verde. Deve-se resguardar a distância mínima de 1,5 m entre a mangabeira e a cultura consorciada, ou, a 1,0 m da projeção da copa. Essas precauções evitam a competição por luz, água e nutrientes entre as culturas. À medida que a mangabeira for crescendo, a faixa de cultivo das culturas intercalares diminuirá.

Fotos: Edivaldo Galdino Ferreira

Consórcio mangabeiras, melancia e mandioca

Figura 2Mangabeiras consorciadas com culturas temporárias: melancia (a) e mandioca (b). 

Outro tipo de consórcio se dá com culturas perenes, a exemplo do coqueiro e cajueiro. No litoral do Nordeste, é comum a mangabeira plantada com diversas espécies em um mesmo espaço, como a mangueira, coqueiro, cajueiro, muricizeiro e culturas temporárias (Figura 3).

Fotos: Josué Francisco da Silva Junior

Consórcio mangabeira, coqueiro,mandioca, mangueira, bananeira

Figura 3. Mangabeiras consorciadas com mandioca e coqueiro (a) e mandioca, coqueiro, mangueira e bananeira (b). 

Podas

Na mangabeira, a poda é prática de fundamental importância por se tratar de espécie em via de domesticação, de porte considerável e com ramos entrelaçados. O porte alto em plantas frutíferas é um fator indesejável pelo fato de dificultar a colheita, provocar danos aos frutos caídos, e limitar o controle de pragas e doenças. Para mangabeira, recomendam-se dois tipos de poda: a de formação e a de limpeza.

Poda de Formação – Contribui para dotar a planta de uma arquitetura mais adequada para suportar a ação de ventos, proporcionar uniformidade de porte  e facilitar o manejo da cultura. Por ser uma frutífera de crescimento lento, essa poda é recomendada quando a planta atingir os 12 meses de idade. Consiste em eliminar a gema apical do ramo central (Figura 4), e a supressão dos ramos laterais até a altura de 40 cm do solo.

Foto: Ana da Silva Lédo

Eliminação da gema apical

Figura 4. Eliminação da gema apical do ramo principal durante a poda de formação da mangabeira. 

A condução da copa deve ser feita de maneira que se permita a aeração e luminosidade no seu interior visando a um melhor desenvolvimento da planta.

Poda de limpeza - deve ser feita após a colheita, para eliminação de ramos secos, mal formados, doentes, ou que estejam comprometendo a arquitetura da copa ou dificultando o manejo da cultura (Figura 5). Este tipo de poda objetiva regular a circulação da seiva e o seu equilíbrio entre a copa e o sistema radicular da planta, contribuindo para um melhor desenvolvimento dos ramos frutíferos e a melhoria da qualidade dos frutos.

Fotos: Edivaldo Galdino Ferreira

Ramos a serem eliminados na poda

Figura 5. Ramos ladrões (a) e brotações no colo (b) da mangabeira a serem eliminados na poda de limpeza. 

Cobertura morta

O uso da cobertura morta, principalmente durante o primeiro período seco após o plantio, é prática de grande efeito na sobrevivência de plantas jovens (Figura 6). É feita com a utilização de material vegetal seco, que pode ser casca de coco, palhadas e folhagens em geral. Essa operação contribui para redução da temperatura do solo ao redor da planta, que são altas naqueles arenosos e, ainda, preserva a umidade do solo no entorno das plantas por um maior período de tempo.

Foto: Carlos Roberto Martins

Cobertura morta

Figura 6. Uso de cobertura morta em mangabeira por ocasião do plantio. 

 

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