Plantio

Josué Francisco da Silva Junior

Raul Dantas Vieira Neto (in memoriam)

Ana da Silva Lédo

A mangabeira pode ser plantada no sistema solteiro, em consórcio com culturas perenes e de ciclo curto ou mesmo utilizada no enriquecimento da vegetação nativa, da qual faz parte. Tem-se verificado, porém, melhor desenvolvimento em cultivos solteiros ou em consórcio com culturas anuais de pequeno porte.

No sistema de plantio solteiro (Figura 1), recomenda-se utilizar os espaçamentos de 6 m x 6 m, 7 m x 6 m ou 7 m x 7 m entre linhas e entre plantas. Esses espaçamentos parecem adequados ao porte da mangabeira que, sendo de pé franco (não enxertada), chega a atingir 5 metros a 10 metros de altura e um diâmetro de copa em torno de 7 metros.

Foto: Josué Francisco da Silva Junior

Várias mangabas no campo

Figura 1. Mangabeira plantada em sistema de cultivo solteiro. 

A mangabeira também pode ser utilizada na recuperação de áreas degradadas ou até mesmo para o enriquecimento da vegetação de áreas naturais, permitindo o seu manejo sustentável. Nesses casos, o plantio é feito de forma aleatória, em locais onde existam falhas de vegetação. É importante posicionar as plantas de maneira tal, que permita receber insolação durante a maior parte do dia.

Primeiramente, executam-se a marcação (Figura 2) e a abertura das covas de plantio (Figura 3), que deve ter as dimensões de 30 cm de altura x 30 cm de largura x 30 cm de profundidade.

Foto: Evandro Almeida Tupinambá

Marcação de covas para plantio de mangabeira.

Figura 2. Marcação de covas para plantio de mangabeira. 

Foto: Evandro Almeida Tupinambá

Abertura de cova para plantio de mangabeira

Figura 3. Abertura de cova para plantio de mangabeira. 

Se o terreno for muito arenoso e o plantio se der na época de pouca chuva, recomenda-se que pelo menos 1/5 da terra de enchimento da cova seja constituída de “terra preta” ou outro material com algum teor de argila. Isso ajuda a planta a atingir melhor desenvolvimento inicial, principalmente por proporcionar ao substrato uma maior retenção de água. Nesse caso, a terra preta ou argila deve ser bem misturada ao restante do solo que encherá a cova. Após o preparo do substrato, a cova é fechada, tendo o seu local demarcado por meio de piquete.

Deve-se evitar utilizar esterco bovino na cova de plantio. Em testes realizados, verificou-se que em sua presença as plantas apresentaram menor altura, menor diâmetro de caule, menor produção de matéria seca e maior mortandade de plantas, tendo esta variado de 45% a 66%.

O plantio no local definitivo deve ser feito quando as mudas tiverem entre 15 cm e 30 cm de altura ou aproximadamente dez pares de folhas (Figura 4). Dar preferência a realizar o plantio em dias nublados ou no final da tarde, estando o solo ou pelo menos a terra da cova com um bom teor de umidade, para facilitar o pegamento da muda.

Foto: Evandro Almeida Tupinambá

Plantio de muda

Figura 4. Plantio de muda de mangabeira. 

Por ocasião do plantio propriamente dito, retira-se o saco de plástico para permitir o desenvolvimento normal das raízes, tendo-se o cuidado de não danificar o torrão. A profundidade do plantio deverá ser ajustada de forma que a superfície superior do torrão se acomode e, posteriormente, fique ao nível normal do solo. Em seguida, a muda é ajustada ao solo local compactando-a suavemente.

O plantio pode ser realizado em diferentes épocas do ano, a depender de alguns aspectos que deverão ser previamente analisados: Realizando-se o plantio no início das chuvas, o produtor deve inicialmente se preparar para a possível ocorrência de veranico — período sem chuvas — que pode durar de 15 a 30 dias. Nesse período, possivelmente, é necessário molhar as plantas de 1 a 2 vezes por semana, para permitir o pegamento e a sobrevivência. Após esse período, as chuvas retomam o seu ritmo normal, devendo então o produtor ficar atento para o possível surgimento de doenças fúngicas, que devem ser controladas, sob o risco de prejuízos ao sistema foliar e morte de plantas. As plantas que atingirem o final do período chuvoso em boas condições, tendo atingido de 50 cm a 60 cm de altura, estarão aptas a suportar o período seco.

Tem-se verificado sucesso em plantios realizados no período seco, durante as chuvas de verão ou mesmo nos últimos meses do período chuvoso. Nesses casos, eventualmente, é necessária a utilização de irrigação ou pelo menos de “molhação” com quantidade mínima de água, geralmente 3 litros a 4 litros, de 5 em 5 dias, se não houver chuvas no período. Plantando-se nos períodos de menor pluviosidade, evita-se o desfolhamento e morte de plantas ocasionados principalmente por doenças fúngicas e verifica-se um melhor desenvolvimento e sanidade em condições de menor umidade relativa do ar e maior temperatura.

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