Produção de mudas

Ana da Silva Lédo

Edivaldo Galdino Ferreira

Josué Francisco da Silva Junior

Herbert Uchôa Pontual

Vander Mendonça

A mangabeira tem sido usualmente propagada por sementes a partir de plantas matrizes selecionadas, mas isso pode levar a variações de porte e rendimento entre plantas. Uma alternativa é a enxertia, com a obtenção de material propagativo a partir de diferentes matrizes selecionadas. A adoção de técnicas de propagação vegetativa proporciona a formação de plantios mais uniformes, produtivos e a redução do porte das plantas. Recentemente, técnicas de cultura de tecidos de plantas têm sido desenvolvidas para a multiplicação em larga escala da espécie, mas ainda não há recomendações para uso prático.

Propagação por sementes

Na propagação por sementes, as mesmas devem ser obtidas de plantas reconhecidamente produtivas e isentas de pragas e doenças. As sementes deverão ser coletadas de frutos maduros que apresentem bom aspecto e sabor, caídos ou colhidos de vez e colocados para amadurecerem. Após serem retiradas dos frutos, as sementes deverão ser lavadas imediatamente, para completa retirada da mucilagem (polpa) que as envolve, e que causa fermentação que pode prejudicar ou inibir a germinação. Depois de lavadas, as sementes são espalhadas sobre folhas de papel, jornal ou panos secos.

As sementes de mangaba são recalcitrantes, ou seja, perdem rapidamente o poder germinativo. Dessa forma, para se obter aproximadamente 90% de germinação, a semeadura deve ser realizada até quatro dias após o processo de extração e lavagem das sementes (Figura 1), tomando-se o cuidado para que estas não percam a umidade. A extração da semente deve ser feita com auxílio de peneira e água, tomando o cuidado para não danificar a casca que a envolve.

Fotos: Ana da Silva Lédo (a) e Carlos Roberto Martins (b)

Sementes ao lado de frutos frescos, sobre uma peneira; sementes sobre uma folha de papel

Figura 1. Extração (a) e secagem (b) de sementes de frutos de mangabeira.

O substrato deve ser preferencialmente arenoso ou areno-argiloso, retirado de camadas do solo a partir de 20 cm de profundidade, eliminando a camada superficial, que geralmente contém grande quantidade de sementes de diversas espécies, o que dificulta e encarece a produção de mudas, por exigir maior quantidade de limpas. Pode-se usar ainda substratos contendo terra vegetal (terra preta) e argila (barro), nas proporções de 1:1; 2:1 ou 3:1. A terra vegetal apresenta baixo teor de argila e bom teor de matéria orgânica. A utilização de solos micorrizados é importante na produção de mudas de mangabeira (ver item sobre Micorrizas).

Recomenda-se evitar o uso de esterco bovino como componente do substrato, uma vez que, com sua presença, verifica-se mau desenvolvimento e grande perda de plantas. O substrato deve ser colocado em sacos de plástico preto perfurados com as dimensões aproximadas de 12 cm x 18 cm ou 15 cm x 28 cm.

Após o enchimento dos sacos com o substrato, realiza-se o semeio, colocando-se duas a três sementes por saco e enterrando-as a 1 cm de profundidade (Figura 2). Os sacos devem ser colocados em canteiros com aproximadamente 1,2 m de largura, com uma cobertura de palha ou sombrite (50% de sombreamento) a 2 m de altura.

Foto: Carlos Roberto Martins

Saco preto com terra preta e três sementes postas sobre a terra para germinar

Figura 2. Plantio de sementes de mangabeira em sacos de plástico com substrato arenoso. 

A emergência das plantas (Figura 3) inicia-se aos 21 dias após o semeio, estendendo-se por mais 30 dias. Sendo possível obter frutos com grau uniforme de maturação, certamente a germinação e o desenvolvimento das mudas também serão mais uniformes. Uma outra opção é o semeio em bandejas de isopor (Figura 4). Neste caso, as plântulas também estarão aptas para a repicagem para os sacos plásticos, 30 dias após a germinação.

Foto: Ana da Silva Lédo

Pequenas mudas de sementes em sacos pretos

Figura 3. Emergência das plântulas de mangabeira. 

Foto: Edivaldo Galdino Ferreira

Pequenas mudas em bandejas de isopor

Figura 4. Mudas de mangabeiras produzidas em bandejas de isopor. 

Quando as plântulas tiverem em torno de 7 cm de altura, realiza-se o desbaste, deixando-se uma muda vigorosa em cada saco. Isso deve ocorrer 60 dias após o semeio (Figura 5). Após o desbaste, retira-se, gradativamente, a cobertura de palha (caso tenha sido usado este material), até deixar as mudas completamente expostas ao sol, para permitir a sua adaptação às condições naturais. As mudas crescem de forma irregular, atingindo de 15 cm a 30 cm de altura ou 10 pares de folha entre 4 a 6 meses após o semeio (Figura 6), quando então podem ser levadas ao campo.

Foto: Evandro Almeida Tupinambá

Várias mudas em sacos plásticos pretos

Figura 5. Mudas de mangabeiras no tamanho ideal para desbaste. 

Foto: Luiz Carlos Nogueira

Várias mudas de cerca de 30 cm em sacos plásticos pretos

Figura 6. Mudas de mangabeira prontas para plantio em local definitivo. 

Propagação por enxertia

As plantas resultantes do processo de enxertia apresentam as vantagens de antecipar o início da frutificação, assegurar as novas plantas características genéticas desejáveis da planta mãe e proporcionar uniformidade ao plantio quanto à produção e características dos frutos, facilitando assim o manejo da cultura.

A propagação por meio da enxertia para a variedade botânica de mangabeira do Nordeste ainda é uma técnica pouco utilizada devido à ausência de prática eficiente para produção rápida de porta-enxertos, em razão do seu lento desenvolvimento. Isso ocasiona a formação de mudas com diâmetro mínimo (3 mm a 4 mm) de enxertia somente aos 12 meses de idade ou mais.

Estudos desenvolvidos pela Emepa, na Paraíba, com métodos de propagação vegetativa da mangabeira indicam que o método de enxertia da garfagem de topo em fenda cheia, se destaca dos demais no que diz respeito ao índice de pegamento (em torno de 70%) e desenvolvimento vegetativo, sendo o método recomendado para a cultura da mangaba na região. A borbulhia de placa em janela aberta também alcança bons índices de pegamento (78%), mas o desenvolvimento do enxerto é mais demorado.

Os porta-enxertos devem ser produzidos, à semelhança das plantas propagadas por semente, em sacos plásticos com 20 cm de largura, 30 cm de altura e 0,015 mm a 0,020 mm de espessura. Os enxertos (garfos) devem ser retirados de ramos com cerca de um ano de idade, apresentando três pares de gemas, 10 cm a 12 cm de comprimento e 3 mm a 4 mm de diâmetro (Figura 7).

Fotos: Edivaldo Galdino Ferreira

Quatro etapas em destaque para produção de porta-ensertos

Figura 7. Garfagem da mangabeira em fenda cheia no topo: preparo do porta-enxerto para a enxertia com a decapitação e corte longitudinal (a), preparo do garfo com corte em bisel duplo (b) fixação do garfo com fita de plástico (c) e cobertura do enxerto com saco de plástico transparente (d). 

No momento da enxertia, a extremidade mais fina do garfo (ponta) deve ser eliminada com corte em bisel e a base chanfrada em bisel duplo de 2,5 cm a 3 cm de comprimento, com o uso do canivete de enxertia. O porta-enxerto com diâmetro de 3 mm a 4 mm e idade aproximada de 12 meses ou mais é decepado a 8 cm de altura, recebendo em seguida um corte longitudinal de 10 mm a 12 mm, no qual se introduz o garfo. O enxerto é fixado firmemente ao porta-enxerto com fita de plástico transparente.

Em seguida, os garfos são cobertos com sacos plásticos transparentes de 5 cm de largura e 22 mm a 25 cm de altura, sendo estes amarrados na base com a ponta da fita de amarrio, formando uma câmara para conservar a umidade e evitar a desidratação dos garfos.

Quando os garfos começam a brotar (depois de 30 dias), os sacos plásticos são desamarrados e abertos na base, assim permanecendo por mais uma ou duas semanas, sendo depois removidos para não limitar o crescimento dos enxertos. Os sacos também devem ser desamarrados se houver acúmulo de água interno na base, para não comprometer o pegamento dos enxertos. A fita de união do enxerto é desamarrada a partir dos três meses, depois da completa união do enxerto.

As plantas enxertadas devem ser levadas para o campo, no momento em que o desenvolvimento vegetativo dos brotos apresentarem porte variando de 15 cm a 20 cm, tendo nesta fase, aproximadamente, 30 cm de altura, e 90 dias de enxertadas.

Diariamente a umidade do substrato deve ser verificada de modo a evitar a falta ou o excesso de água. As “ruas” do viveiro e os sacos com as mudas devem estar sempre livres de plantas invasoras. Para tanto, é necessário realizar limpas periódicas. As principais pragas e doenças que ocorrem no período de desenvolvimento das mudas são os pulgões e cochonilhas e as doenças foliares antracnose e mancha parda, que devem ser controladas com produtos específicos, recomendados por um técnico especializado.

Deve-se ressaltar que, no viveiro, as plântulas necessitam de cuidados básicos no que diz respeito à retirada do mato (limpa), que deverá ser realizada pelo menos uma vez por semana, manualmente. As plântulas raquíticas, com desenvolvimento inferior, também deverão ser eliminadas nesta ocasião.

A irrigação deverá ser criteriosa, a fim de evitar os malefícios do encharcamento e, consequentemente, doenças fúngicas de solo. Constatando-se a carência de água, efetua-se a irrigação em dias alternados, ou em torno de 2 a 3 dias por semana.

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