Sistema agroflorestal

A erva-mate forma um dos sistemas agroflorestais mais característicos da região de ocorrência natural da espécie. Trata-se de uma atividade que apresenta aspectos ambientais, econômicos e sociais altamente positivos. 

Em sistemas agroflorestais, o cultivo da erva-mate é o de maior importância no Sul do Brasil, sendo explorado, na forma natural, com plantio intercalar de culturas anuais, tais como feijão, mandioca, milho e soja. 

Para plantios agroflorestais com a erva-mate, é recomendável o uso de espaçamentos maiores como 4,50 m x 1,50 m, para pequenos produtores. Para grandes produtores, recomenda-se 1,50 m nas linhas de erva-mate, com o espaçamento entre linhas depedente do maquinário a ser utilizado no plantio e na colheita da cultura agrícola.

O plantio direto de culturas agrícolas, sem o uso de herbicidas, nas entrelinhas da erva-mate, utilizando rolo-faca e plantadeira a tração animal, tem se mostrado viável na pequena propriedade rural (Figura 1). 

Nesse caso, recomendam-se três diferentes sistemas de plantio:

  1. Plantio de aveia-preta no inverno, rolagem da mesma quando o grão estiver no "ponto leitoso" e o plantio de soja ou milho no verão.
  2. Plantio no inverno de ervilhaca comum próximo da linha de erva-mate e de aveia-preta no centro da entre-linha, sendo que, no verão, a soja será plantada sobre a aveia-preta e o milho sobre a ervilhaca-comum.
  3. Plantio em toda a área de aveia-preta mais ervilhaca comum, em partes iguais, e plantio de milho ou soja, no verão.

Trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa Florestas, durante vários anos em regiões de concentração da produção de erva-mate, comprovam que a exploração da erva-mate em sistemas agroflorestais apresenta as seguintes e principais vantagens:

  1. melhor utilização da terra e mão-de-obra;
  2. produção simultânea de erva-mate e alimentos;
  3. antecipação do pagamento do custo de implantação do erval;
  4. aumento do emprego, da produção e da renda da propriedade rural.

Por último, os sistemas agroflorestais com erva-mate, que tinham nesta espécie o componente lenhoso, passaram a sofrer um processo de ampliação da complexidade biológica. Hoje, é comum a associação da erva-mate com cultivos agrícolas, para a produção de alimentos ou coberturas de solo e, ainda, com outras espécies florestais arbóreas introduzidas (Figura 2) ou nativas (Figura 3).

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 1. Plantio direto sem uso de herbicidas nas entrelinhas da erva-mate. 

Propriedade de Pedro Rogoski, Áurea, RS.

Foto: Adroaldo José Waczuk, URICER - Campus de Erechim, RS

Figura 2. Sistema agroflorestal com pínus x erva-mate x soja, aos dois anos e meio de idade. Propriedade de Gregorio Cigainski, Áurea, RS.

Foto: Amilton João Baggio

Figura 3. Transformação de um erval solteiro a pleno sol, em um sistema agroflorestal com base no plantio de espécies nativas para sombreamento das erveiras. Machadinho do Oeste, RS. Propriedade de Lourenço Pieri.

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2ª edição

Abr/2014

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