Condução e poda

Moacir José Sales Medrado

A capacidade de produção do erval depende, dentre outros fatores, da densidade de plantio, da formação da copa e da altura das plantas, que estão sob o controle do produtor. 

Deve-se fazer a poda de formação no período em que a planta está desenvolvendo a sua estrutura de copa, com o objetivo de orientar o seu crescimento e obter um caule múltiplo. Isto é feito para garantir que, futuramente, a erveira ocupe o espaço que lhe for necessário, sem competir com as vizinhas, captando melhor a luz solar. A poda de produção é um pouco diferente da poda de frutificação, feita em macieiras e pessegueiros, que visa à distribuição e à renovação de ramos frutíferos, mediante raleio e encurtamento.

As podas de limpeza e as podas de renovação também são muito importantes.

Poda de formação

Moacir José Sales Medrado; José Alfredo Sturion

A poda de formação deve ser iniciada dois anos após o plantio e encerrada, no máximo, com três anos de idade. Em alguns casos, o início da poda poderá ser feito já no primeiro ano, mas apenas nas plantas que apresentarem bom desenvolvimento, com tecido marrom a 20 cm de altura do solo (Figura 1).

Recomenda-se, como época para a realização desta poda, os meses de agosto e setembro, podendo-se fazer um repasse nos meses de janeiro ou fevereiro. A poda de formação pode ser feita, inclusive, no viveiro, desde que o “desponte” seja efetuado 30 dias antes do plantio, cortando-se a parte aérea numa altura de 10 cm, e deixando de três a quatro folhas remanescentes.

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 1. Erveira com um ano de campo, apta para receber a poda de formação. Fazenda Vila Nova de Neiverth Filhos Ltda., Ivaí, PR.

Poda de limpeza 

A poda de limpeza, quando efetuada no início de abril, juntamente com a limpeza dos ramos verdes da parte mais baixa da planta e que estão dominados, poderá evitar a perda do baixeiro (Figura 2), devido à queda de folhas. Em plantas novas, pode-se fazer a poda de limpeza no período de julho a agosto.

Esta modalidade de poda é muito importante para evitar ramos doentes.

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 2. Poda de limpeza e colheita do baixeiro. Fazenda Vila Nova, Ivaí, PR.

Poda de produção 

Poda tradicional 

O método tradicional de poda de ervais nativos, normalmente utilizando facão, quando aplicado aos ervais plantados, resultam em plantas muito altas, com ramos muito curtos e com poucas folhas (Figura 3a).

Mesmo as variações feitas para a melhoria da poda tradicional, deixando-se um pouco mais de folhas (Figura 3b), tem se mostrado ineficiente, principalmente pela dificuldade em se controlar a altura da planta. 

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 3a. Poda tradicional. Mato Leitão, RS.

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 3b. Poda tradicional deixando-se mais folhas.

Poda tipo mesa 

É a poda de colheita feita por cortes sistemáticos dos ramos a serem colhidos, anual ou bienalmente, a uma distância de 10 cm a 15 cm do ponto de inserção (na primeira poda de colheita) e do último corte (nas podas subsequentes), sem a preocupação em abrir o centro da planta. Desta forma, na parte central, situam-se a maioria dos ramos que crescem retos e para cima.

Assim, a altura da planta tende a aumentar cerca de 10 cm a 15 cm a cada poda e a manter o crescimento totalmente reto (Figura 4).

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 4. Poda tipo mesa. Fazenda Vila Nova, Ivaí, PR.

Poda tipo vaso 

Neste tipo, faz-se a poda de desponte a 20 cm do solo, normalmente aos dois anos de idade, para que essa ramifique e forme os ramos mestres. No terceiro ano, cada ramo mestre fica com uma estrutura formada por um eixo e galhos laterais crescendo para fora.

Entre os meses de abril e maio, deve-se proceder à retirada manual de ramos finos existentes no interior da copa, com a limpeza de ramos verdes excedentes e, ao final do inverno, retirar os ramos remanescentes.

Durante a poda de colheita, deve-se remover, além dos ramos maduros, aqueles que crescerem voltados para o interior da copa e as forquilhas fechadas.

Apesar da prática de alguns produtores, não se recomenda a condução dos ramos mestres, forçando a abertura em cerca de 45 graus com o tronco principal (líder), amarrando os ramos com fitas de náilon ou barbante a estacas fincadas no chão, ou à própria planta, como se faz na poda de frutíferas. Todavia, é fundamental selecionar os ramos mestres muito bem, a fim de formarem ângulos abertos e ficarem bem posicionados no plano horizontal.

Com este tipo de poda, a copa terá o topo mais largo do que a base, assumindo a forma de um sino invertido.

Deve-se limitar o crescimento em altura e diâmetro das plantas para que não haja concorrência entre elas. O volume e a forma da copa devem ser controlados, cortando-se os ramos mestres e os submestres, quando necessário, sempre acima de ramificações que se dirijam para fora do centro da planta, visando à orientação da direção do crescimento das futuras brotações de tais ramos. 

A planta deve ser manejada para chegar a 1,70 m de altura com 2,5 m de largura de copa, a 1,3 m do solo.

Poda de renovação

No Brasil, a quantidade de ervais degradados é muito grande, em decorrência de sucessivas colheitas, de envelhecimento natural, de podas mal feitas que expõem a planta ao sol em demasia, e devido à ocorrência de pragas e doenças. Nestes ervais, recomenda-se a retirada dos ramos piores ou até mesmo a renovação total das erveiras.

Esta poda também é recomendada para plantas em que a altura já chegou a um ponto que dificulta a colheita, podendo ocasionar acidentes, além do encarecimento da colheita.

O período mais indicado compreende os meses de julho a agosto, quando a atividade fisiológica da planta é baixa. Deve-se proceder de acordo com a situação das plantas, realizando-se a poda de forma gradual ou sistemática. 

Renovação gradual

Neste caso, selecionam-se ramos que deverão ser podados a uma altura de 15 cm a 20 cm do solo, deixando os demais para os anos posteriores. A programação de poda deve ser feita de forma que, em três ou quatro anos, toda planta tenha sido renovada.

Renovação sistemática

Neste tipo de poda, dependendo da situação, pode-se efetuar a recepa a 10 cm do solo, em bizel, com a parte mais alta voltada para leste.

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2ª edição

Abr/2014

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