Implantação

A implantação de um erval ideal exige dedicação do produtor até nos quatro primeiros anos, pois, caso contrário, não se obterá boa produtividade. 

É importante que se faça a correta escolha da área e, depois, o preparo adequado do solo, para o bom desenvolvimento das mudas. Uma vez preparado o solo, deve-se, dependendo do tipo de produtor (pequeno, médio ou grande) e do sistema de plantio, puro ou em sistemas agroflorestais, escolher o espaçamento.

O plantio do erval deve ser feito a partir do mês de abril, podendo estender-se até setembro. A partir de outubro, na maioria dos locais, as chuvas em excesso podem ocasionar problemas, limitando ou diminuindo, acentuadamente, o ritmo de crescimento das plantas. 

Deve-se destinar ao plantio apenas mudas de boa qualidade, que podem ter sido produzidas em viveiro convencional ou viveiro de tubetes, pois o mais importante é que o produtor de mudas tenha a fiscalização do Ministério da Agricultura e tenha assistência técnica apropriada.

Independentemente se as mudas forem adquiridas de terceiros ou se forem de produção própria, é necessário realizar antes do plantio uma verificação das condições radiculares. Isto poderá ser feito usando-se o “teste do balde”. As mudas para o plantio devem ter o tamanho equivalente ao recipiente e ter passado por um período de rustificação.

Imediatamente antes do plantio, deve-se realizar o preparo das mudas, que consiste do corte da parte basal do recipiente, com o propósito de podar possíveis raízes com cachimbamento e a retirada de eventuais raízes enroladas.

Escolha da área 

Quanto às condições físicas do solo, a erva-mate é uma cultura muito exigente. Em função disso, deve-se dar preferência às áreas de solos profundos e bem arejados e não sujeitos aos encharcamentos. Em caso de solo compactado, deve-se proceder à subsolagem.

Outra preocupação na instalação do erval é quanto à declividade do terreno. Se for acentuada, deve-se efetuar o plantio em nível e melhorar as práticas de conservação e controle da erosão. A erva-mate vegeta bem em solos ácidos, aqueles em que, para plantar as principais culturas agrícolas, precisa de aplicação de calcário, mesmo naqueles com pH muito baixo e próximos de quatro.

Preparo do solo para plantio

Deve-se proceder o preparo do solo por meio de aração e gradagem, para o plantio das mudas. A época do preparo do solo vai depender do período em que o produtor pretende fazer o plantio, que normalmente ocorre de abril a setembro, com exceção dos plantios de adensamento, ou seja, erva-mate plantada em sub-bosque de ervais nativos, cujo plantio pode ser feito durante o ano todo.

Quase sempre é necessário realizar a recuperação do solo antes do plantio, por meio de um controle de plantas invasoras e descompactação, com a utilização de um subsolador. Caso não seja possível preparar o terreno, as covas para o plantio das mudas devem ter 30 cm de largura, por 30 cm de profundidade, colocando-se terra solta no fundo das covas, para que a parte superior do recipiente fique no nível do terreno.

Definição de espaçamento

Inúmeros testes de espaçamentos demonstraram melhores resultados para linhas simples. Os espaçamentos em linhas duplas implicam em menores rendimentos por hectare, maior dificuldade no plantio e maiores custos com limpeza. Desta forma, orienta-se o uso dos seguintes espaçamentos:

Pequenos produtores familiares

Em sistemas de plantio solteiro
a)100% da área com 4,50 m x 1,50 m (1.480 plantas por ha).
b)100% da área com 3,50 m x 1,50 m (1.900 plantas por ha).
c)80% da área com 4,50 m x 1,50 m e 20% da área com 2,25 m x 1,5 m.
d)80% da área com 3,50 m x 1,50 m e 20% da área com 2,25 m x 1,5 m.

Em sistemas agroflorestais (erva-mate x culturas agrícolas de ciclo curto) 
100% da área com 4,50 m x 1,50 m (1.480 plantas por ha).

Em sistemas sombreados
100% da área com 2,25 m x 1,5 m.

Médios e grandes produtores

Em sistemas de plantio solteiro
a) 2,50 m x 1,50 m (2.660 plantas por ha).
b) 2,25 m x 1,50 m (2.960 plantas por ha).

Em sistemas agroflorestais (erva-mate x culturas agrícolas de ciclo curto) 
a) 1,50 m na linha e espaçamento da entrelinha a depender do maquinário para plantio da cultura agrícola.

Em sistemas sombreados
a) 100% da área com 2,25 m x 1,5 m.

Assistência técnica 

Sempre que ocorrer dúvidas sobre a condução do erval, deve-se procurar um extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de seu município, nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Para o Estado de Santa Catarina, deve-se recorrer à Epagri.

Endereços dos Escritórios Centrais das Empresas Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural:

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)

Rodovia Admar Gonzaga, 1.347, Itacorubi, Caixa Postal 502
Florianópolis, SC, Brasil, CEP 88034-901
Fone: (48) 3239-5500, Fax: (48) 3239-5597 

Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater)

Rua da Bandeira, 570, Bairro Ahu, Curitiba, PR, CEP 800035-270
Fone: PABX (41) 3250-2100, SAC (41) 3250-2166

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio Grande do Sul (Ascar)

Rua Botafogo, 1051, 2º andar, Bairro Menino de Deus, Porto Alegre, RS, CEP: 90150-053
Fone: (51) 2125-3144

Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural do Mato Grosso do Sul (Agraer)

Av. Desembargador José Nunes da Cunha, Bloco 12
Parque dos Poderes, Campo Grande, MS, CEP 79031-310
Fone: PABX (67) 3318-5100

Plantio das mudas 

As mudas devem ser plantadas na época em que as temperaturas não sejam extremas e também haja disponibilidade de água suficiente para o seu desenvolvimento normal. O momento em que a muda está apta para ser levada ao campo é quando ela apresenta a parte aérea no mesmo comprimento da embalagem (Figura 1). 

Antes do plantio, as mudas devem ser preparadas para evitar o cachimbamento, cortando-se o fundo do recipiente de plástico (Figuras 2 e 3). Em seguida, a lateral do recipiente deve ser cortada (Figura 4) e o recipiente retirado e guardado para não poluir o ambiente. Imediatamente antes do plantio, as raízes laterais, quando estiverem enrolando o torrão, devem ser aparadas com canivete amolado. Feito isto, a muda estará pronta para ir à cova (Figura 5). Após a colocação da muda na cova, já adequadamente adubada, procede-se o fechamento da mesma (Figura 6).

Após o plantio, as mudas devem ser protegidas do sol.

Foto: Ivar Wendling

Figura 1. Muda no ponto ideal de ir a campo.

Foto: Ivar Wendling

Figura 2. Corte do fundo do recipiente.

Foto: Ivar Wendling

Figura 3. Fundo do recipiente destacado.

Foto: Ivar Wendling

Figura 4. Corte da lateral do recipiente.

Foto: Ivar Wendling

Figura 5. Colocação da muda na cova.

Foto: Ivar Wendling

Figura 6. Muda plantada.

Época de plantio 

O plantio de mudas produzidas em sacos plásticos deve ser feito no período de abril a setembro. Plantios que ultrapassam este período prejudicam o desenvolvimento do erval e, às vezes, chegam a sofrer graves perdas em função de ocorrência de veranicos. Isto tem ficado mais evidente com as mudanças climáticas ocorridas no Sul do Brasil.

Proteção das mudas 

As mudas, além de previamente adaptadas ao sol ainda nos viveiros, devem ser protegidas quando plantadas em épocas de muita insolação. A proteção, quando necessária, pode ser feita com o uso de tabuinhas ou restos de capim, para evitar que os raios solares atinjam diretamente o colo da planta (Figura 7).

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 7. Sistema de proteção de mudas com restos de madeira.

Verificação das condições

As mudas para o plantio devem ser selecionadas quanto à sanidade e desenvolvimento, evitando-se aquelas com alturas superiores a 20 cm, quando em embalagens de 7,5 cm x 18 cm, para diminuir os riscos de cachimbamento das raízes. Na prática, deve-se escolher mudas com a parte aérea do tamanho próximo da altura da embalagem e realizar o “teste do balde”, preconizado pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Este teste consiste em separar dez mudas ao acaso, retirando-as da embalagem e deixando-as dentro d’água até destorroar, observando-se, em seguida, quantas mudas têm raiz com cachimbamento (Figura 8). No máximo, deve-se tolerar uma muda com raiz defeituosa em cada dez mudas analisadas.

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 8. Muda com cachimbamento das raízes.

Teste do balde

Consiste em separar dez mudas ao acaso, retirar a embalagem e deixá-las dentro d’água até destorroar, observando em seguida quantas mudas têm raiz com cachimbamento. No máximo, deve-se tolerar uma muda com raiz defeituosa em cada dez mudas.

Foto: Moacir J. S. Medrado

Figura 9. Teste do balde feito no viveiro em Inácio Martins, PR.

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2ª edição

Abr/2014

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